sexta-feira, 19 de junho de 2015


"Algumas pessoas são tão pobres que Deus só pode aparecer-lhes na forma de pão"

M. Gandhi

terça-feira, 16 de junho de 2015

REPARTIR O PÃO


«Há revelações que não nos chegam quando conversamos, mas quando repartimos o pão.»

Fábio de Melo (@pefabiodemelo)

sábado, 13 de junho de 2015

SEMPRE PELA MÃO DO OUTRO


«É sempre pela mão do outro que somos conduzidos à visão de Deus. (...) 
Sem o inesperado que o outro é para mim, facilmente transformo Deus num ídolo moldado pela minha estreita expetativa. (...)No olhar do outro adivinha-se um caminho a percorrer.»

Carlos Maria Antunes, in Só o Pobre se faz Pão

quarta-feira, 10 de junho de 2015

QUEM CONFIAR NO AMOR


«Quem confiar no amor que aprecia, gera e resgata a vida, e a ele se confiar, será salvo. Quem duvidar e dele se separar, defendendo a vida só para si, mesmo à custa da vida de outros, perder-se-á.»

José Frazão Correia, s.j., in Entre-tanto

domingo, 7 de junho de 2015

DEUS DETESTA PERDER


«Deus detesta perder. Deus faz tudo para não perder.
Há, entretanto, uma precisão a fazer.
É que enquanto nós não gostamos de perder nada, Deus não gosta de perder ninguém.
Enquanto nós trocamos facilmente as pessoas pelas coisas, Deus dispõe-Se a sacrificar todas as coisas — e a sacrificar-Se a Si mesmo — para não perder nenhuma pessoa.
O que move Deus não é essa coisa que se chama dinheiro. Nem essa coisa que se chama poder.
O que (co)move Deus são as pessoas, somos nós.»

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O HUMANO TÃO PURAMENTE HUMANO


«Não é quando nos distanciamos do humano que nos aproximamos de Deus. É quando aterramos na sua maior profundidade que tocamos o divino.
Haverá algo mais divino que a humanidade de Jesus?
Jesus é uma lição sem fim. Lição que não vem de qualquer cátedra, mas que tem a argamassa de uma vida tão humanamente cheia.
O humano tão puramente humano (tão inteiramente humano!) de Jesus é uma respiração divina, um enclave da eternidade pelas inclementes estradas do tempo.
Divina é esta humanidade sem freio, é esta franqueza sem constrangimentos, é este amor sem vacilação, é esta entrega sem limites.»

terça-feira, 2 de junho de 2015

RECOMEÇAR


«Temos direito ao desânimo no nosso caminho. Deus irá sempre buscar-nos ao sítio onde estamos desanimados. Mais ainda: Deus irá sempre buscar-nos infinitamente a esse sítio. Nunca deixará de ser possível retomar o nosso rumo: o nosso caminho pode, em qualquer instante, recomeçar. Recomeçar de todas as interrupções que for tendo.
Jesus estará sempre na margem da nossa vida, à nossa espera, com uma ceia de consolos preparada para nós.»

Gabriel Magalhães, in Espelho meu

domingo, 31 de maio de 2015

A CALIGRAFIA


Com o dedo escrevia as linhas
que desenharam as estrelas
no chão escrevia com elas
um enigma, um retrato, uma declaração
de amor que faltava inventar
a paixão de perdoar.
Como o céu de verão que arde
sem perder do azul a compostura
escrevia no chão, a luz na treva
um salmo, uma jaula aberta
para no ar a ave se alongar
uma velha estrofe da lei do coração.
Foi tudo o que escreveu na vida
um verso de Amor à sua altura.


J. T. Parreira

sexta-feira, 29 de maio de 2015

GRAÇA


«Deus dá a cada um não segundo a medida do merecimento daquele que recebe mas segundo a medida do amor daquele que dá!»

quarta-feira, 27 de maio de 2015

GRATIDÃO


«Gratidão é como estar a rir com Deus. 
É ver a Vida entrelaçar-se a Ele, 
como numa dança.»


domingo, 24 de maio de 2015

FRANCISCO


«Descendem do mesmo pai, enterrado sob a Bíblia: Abraão. Disputam entre si os despojos dele, com os dentes. A religião é o que une, e nada é mais religioso que o ódio: ele reúne multidões de homens sob o poder duma ideia ou dum nome, ao passo que o amor os liberta, um a um, através da fragilidade de um rosto ou duma voz.
Francisco de Assis vai à Palestina falar de um Deus que as multidões espantam e que as Igrejas aborrecem. Ele conta aos guerreiros as mesmas coisas que aos pardais. Não fala para convencer: convencer ainda é vencer, e ele não busca mais que o triunfo do canto fraco, sem armadura de ferro nem de língua.»

Christian Bobin, in Francisco e o Pequenino

sexta-feira, 22 de maio de 2015

UM DEUS À FLOR DA TERRA


«Nada do Altíssimo pode ser conhecido a não ser pelo pequeníssimo, por um Deus à altura da infância, um Deus à flor da terra.»

Christian Bobin, in Francisco e o Pequenino

terça-feira, 19 de maio de 2015



«Adoro uma bondade que é beleza, e não apenas ética.
Adora uma beleza que é bondade, e não apenas estética...»


Rui Santiago Cssr
https://www.facebook.com/homiletas?fref=ts

domingo, 17 de maio de 2015

A BELEZA



«A Beleza tem o poder da ressurreição.
Basta saber ver e esperar.
É por distração que não entramos no paraíso. 
Unicamente por distração.»


Christian Bobin

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A FRAGILIDADE



«A fragilidade persegue o sonho de um mundo onde o vencedor é aquele que dá e que recebe amor».

Ermes Ronchi, in "Tu és Beleza"

segunda-feira, 11 de maio de 2015

TALVEZ NO ÚLTIMO ENTARDECER



Segundo António Couto, nas paredes de uma igreja de Emaús, à guarda dos Padres Franciscanos da Custódia da Terra Santa, que recorda os acontecimentos narrados no sublime episódio de Lc 24, pode ler-se em várias línguas um belo e significativo poema:

Todos os dias 
Te encontramos 
no caminho 
Mas muitos reconhecer-Te-ão 
apenas 
quando 
repartires connosco 
o Teu pão. 
Quem sabe? 
Talvez 
no último entardecer

sábado, 9 de maio de 2015


«Jesus não fala no evangelho como uma mãe que dá bons conselhos aos filhos, mas como um filho que conta, encantado e convencido, as coisas do Pai.»

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O ESPÍRITO DE DEUS


«O Espírito é esse sopro, por vezes suave, por vezes impetuoso, que não desiste de nos reconduzir à nossa beleza original.» 

Carlos Maria Antunes

segunda-feira, 4 de maio de 2015

AQUELE QUE VIVE NO AMOR

Aquele que vive no amor, 
mesmo tendo poucas coisas, 
vive na abundância.
Amado, é livre. 
Por isso, não teme. 
E, não temendo, não precisa de acumular coisas, 
nem de fingir ser o que não é, 
nem de recear o amanhã. 
Não se incha, querendo ser o que não é. 
Não se diminui, deixando de ser o que é. 
Esvaziado de «coisas incertas», vive de graça. 
Na verdade, vive a graça.


P. José Frazão Correia, in "Entre-tanto"

sexta-feira, 1 de maio de 2015

POST SCRIPTUM


Que a tua vida
seja natural como o respirar,
que o teu peso para os outros
seja apenas o das pétalas,
que a tua gratidão seja ilimitada
e as tuas palavras favos de ternura.

Que todos os que se aproximem de ti
tenham vontade de cantar
e de encher de luz e canções
as suas noites,
de despir os lutos do coração
e compor as jarras da alegria.

Procura a lucidez
que afasta os medos,
e a humildade para permaneceres
profundo em ti,
livre na vida,
eterno no momento,
fiel ao que permanece."

Henrique Manuel, in Mas Há Sinais...

terça-feira, 28 de abril de 2015

A FÉ É SEMPRE QUESTÃO DE VIDA


"Bem longe de ser um vago e cego arrepio da alma ou o resultado, claro e distinto, de uma demonstração lógica, a fé é sempre questão de vida - e de morte do medo de confiar num outro e de se lhe confiar."
José Frazão Correia, in "A Fé vive de afeto"

sábado, 25 de abril de 2015

NASCESSE HOJE...


«Foi baptizado em água doce, amou a pesca, andou com pescadores, encheu-lhes as redes (...)
Pediu ao ofendido que oferecesse a outra face, colocando o ofensor em risco de ridículo, mas ao mesmo tempo estabelecendo um limite para a prova: duas, e não mais, são as faces. 
Não escreveu, não ditou, as suas palavras faziam a viagem das abelhas sobre as pétalas abertas das orelhas. (...)
Salvou uma mulher condenada à lapidação pedindo aos seus acusadores que o primeiro dentre eles, desde que puro de pecados, se chegasse à frente com a primeira pedra. Sabia que os homens atiram com prazer as segundas.
Nascesse hoje, e seria num barco de imigrados, atirado ao mar juntamente com a mãe à vista da costa de Puglia ou da Calábria.(...)
Depois dele o tempo reduziu-se a um entretanto, a um parêntesis de vigília entre a sua morte e a sua nova vida. Depois dele ninguém é residente, mas todos são refugiados à espera de um visto. Somos nós, bem nutridos do ocidente, a coluna de estrangeiros em fila para lá do último guichet.»
Erri De Luca, in Caroço de Azeitona

domingo, 5 de abril de 2015

PÁSCOA


Vimos a pedra vazia no interior da terra
A manhã. Nós não tocámos a luz
Inesperada. Pensámos
Que já o sono sendo eterno te afastara
E que farol que foste
Agora onda após onda, brasa extinta, naufragava
Nunca mais, pensámos, dormirias na proa
E quase desaprendêramos a guiar o barco
Em nossas viagens não amainaria mais, pensámos, e chegar a casa
Seria ver multiplicar-se
A nossa fome como o peixe e como o pão
Chegámos a terra porém e esperavas-nos
Os pés furados como conchas sobre a areia
E sentámo-nos em redor para comer
Daniel Faria, «Poesia», Lisboa 2012

sábado, 4 de abril de 2015

SÁBADO SANTO


«O sábado santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente, representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus, pronunciadas na sexta-feira santa, “tudo está consumado”, e a insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, ele mesmo protagoniza. […] O silêncio do sábado santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»

José Tolentino Mendonça

sexta-feira, 3 de abril de 2015

ERA UMA VEZ O AMOR...



«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.
Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões!

No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...». 
O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios. 
O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.
O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus.
Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.

José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 2 de abril de 2015

COMO RESISTIR A ESTE AMOR?



«...Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.

Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova.

Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela ação conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.»

Henri Caffarel, em "Nas Encruzilhadas do Amor"

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O AUGE DO AMOR


«Na cruz, o Cristo encontra-se no ápice do poder... exactamente porque Ele se encontra no auge do amor! Ele mostra, então, que o verdadeiro poder é o amor e que nada é possível contra o amor.

Não é possível impedir o Cristo de amar: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem..." Até ao último instante, Ele é o mais forte. E Ele é o mais forte, na extrema fraqueza!»


Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo"

sábado, 14 de março de 2015

A FÉ É CLARAMENTE NOTURNA



«A fé tem a ver com a noite. A luz só se vê à noite, como as estrelas. As estrelas brilham no céu noturno. A luz da fé brilha na noite. A fé é um lugar sem certezas. A fé é um lugar de abertura. A fé é uma forma de hospitalidade radical. 


Para mim, as grandes imagens bíblicas da fé são as da luta de Jacob com o anjo (quando ele, no amanhecer ainda escuro, ao atravessar um riacho, luta com o próprio Deus sem saber que está a lutar com Deus; mas essa imagem do combate noturno, agónico, um bocado imperceptível mas que nos fere e deixa depois no nosso corpo a ferida, é a imagem mais prodigiosa do que é a fé no Antigo Testamento) e a do percurso que as mulheres fazem de manhãzinha, com o dia ainda muito escuro, a caminho de um sepulcro que encontram vazio. 

A fé tem necessariamente esse lado noturno de indagação e de expectativa. A fé é uma expectativa. E é nesse sentido a imagem do salto no escuro.»

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 11 de março de 2015

VENHA O TEU ANJO


Venha o teu Anjo tocar o peso da nossa vida
e descobrir neste cerco o que ainda não vemos:
a beleza completamente acesa

Venha o teu Anjo dizer-nos que é possível
uma existência respirar iluminada
por aquilo que espera

Venha o teu Anjo convencer-nos
que é da esperança que nos vem o fogo,
e que em cada um dos nossos instantes
o eterno pode habitar

Venha o teu Anjo aproximar em nós
o barro da estrela
o coração adiado da sua órbita viva
o meu pão do pão de todos
a alegria voltada para fora
da alegria voltada para dentro

José Tolentino Mendonça

sábado, 7 de março de 2015

CAMINHAR CONTRA A «CORRENTE»


«Não devemos deixar-nos arrastar para as águas turvas do cinismo, da passividade e da amargura. Contudo, também não devemos pôr os óculos cor-de-rosa do otimismo ilusório. 

Acima de tudo, devemos rejeitar todo o tipo de droga sob a forma de ideologias que oferecem respostas simplistas ou receitas radicais de má qualidade para reparação instantânea. 

Devemos simplesmente manter-nos a caminho e fazer todos os possíveis por nos deixarmos governar mais pela nossa consciência do que pelas circunstâncias. Naturalmente, isto significará muitas vezes caminhar sozinhos contra a corrente, sem quaisquer perspetivas de «êxito» visível, e parecer excêntricos ridículos aos olhos dos «sábios deste mundo». Mas, se não quisermos tomar esse caminho, não será o sinal de que temos lido em vão o Evangelho da cruz?»

Tomás Halik, in A  Noite do Confessor