sábado, 19 de abril de 2014


«A Ressurreição de Jesus é a Acusação de Deus a todas as formas religiosas que põem a Lei acima da Misericórdia e a Autoridade acima do Amor.»

Rui Santiago

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O AUGE DO AMOR


«Na cruz, o Cristo encontra-se no ápice do poder... exactamente porque Ele se encontra no auge do amor! Ele mostra, então, que o verdadeiro poder é o amor e que nada é possível contra o amor.

Não é possível impedir o Cristo de amar: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem..." Até ao último instante, Ele é o mais forte. E Ele é o mais forte, na extrema fraqueza!»

Jean-Yves Leloup, em "Amar... apesar de tudo"

quarta-feira, 16 de abril de 2014



"Soubesse eu morrer iluminando" 

Daniel Faria

segunda-feira, 14 de abril de 2014



«Não acredito que cada um tenha o seu lugar. 
Acredito que cada um é um lugar 
para os outros.» 

Daniel Faria,  em"O Livro do Joaquim"

domingo, 13 de abril de 2014

O DOM DA FRAGILIDADE

«Creio que o mais egoísta dos homens é aquele que recusa dar aos outros a sua fragilidade e as suas limitações. Quem recusa aos outros a sua pequenez, comete um dos mais infelizes gestos de prepotência. E porque aí se rejeita, aos outros não poderá dar senão o sofrimento da perda. Querendo-se sem falha, será o mais incompleto dos seres.»

Daniel Faria, em "O Livro do Joaquim"

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A SALVAÇÃO



«A salvação é descobrir a liberdade dos gestos gratuitos de bondade.» 

quinta-feira, 10 de abril de 2014


Renascemos à luz de um olhar amoroso.

terça-feira, 8 de abril de 2014



Que a nossa vida fale suficientemente de Deus sem necessidade de o nomearmos.

domingo, 6 de abril de 2014

MILAGRE É O ENCONTRO



«Milagre é o encontro. 
Tão necessário como a água. 
Tão precioso como o são os poços no deserto.»

José Frazão Correia, em "A Fé vive de afeto"

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O GRANDE DESAFIO

"Este é o grande desafio da vida espiritual: viver a cada momento, todos os acontecimentos, todos os encontros e desencontros, alegrias e tristezas, esperanças e desalentos, viver tudo, mesmo tudo, em Deus. Quem vive nas «mãos de Deus» conhece o sabor da paz, mesmo no meio da maior tempestade.»

Carlos Maria Antunes, em "Só o Pobre se faz Pão"

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A FÉ NA RESSURREIÇÃO


«A Fé na Ressurreição não é a promessa do Além Morte mas o desafio de nunca ficarmos Aquém do Amor.»

Centro Espiritualidade Redentorista

terça-feira, 1 de abril de 2014

SE EU QUISER FALAR DE DEUS...


"Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz...
Tenho que ter as mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus...
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nad
Do que eu pensava encontrar"

(Gilberto Gil)

sábado, 29 de março de 2014

RESGATA-NOS



Resgata-nos de todos os medos e desconfianças
para que a vida floresça, de novo,
e amadureça todas as promessas que traz consigo.

José Frazão Correia "A Fé vive de afeto"

quarta-feira, 26 de março de 2014

AS MULHERES - GESTOS SIMPLES DO AMOR LOUCO





«É sempre possível a um homem aderir ao campo das mulheres, ao riso do Deus. Basta um movimento, um único movimento semelhante aos que têm as crianças quando se lançam em frente com todas as suas forças, sem receio de cair ou morrer, olvidando o peso do mundo. 

Um homem que assim sai de si mesmo, do seu medo, desleixando esse peso de seriedade que é peso do passado, um tal homem torna-se como alguém que já não aguenta no lugar, que já não acredita nas fatalidades ditadas pelo sexo, nas hierarquias impostas pela lei ou o costume: um menino ou um santo, na proximidade risonha do Deus - e das mulheres...

Ninguém mais do que Cristo voltou o seu rosto para as mulheres, como voltamos o olhar para uma folhagem, como nos debruçamos sobre uma água de riacho para aí colher força e gosto por continuar o caminho.

As mulheres são na Bíblia quase tão numerosas como as aves. Estão lá no início e estão lá no fim. Elas dão Deus à luz, vêem-no crescer, brincar e morrer, depois ressuscitam-no com os gestos simples do amor louco, os mesmos gestos desde o começo do mundo, nas cavernas da pré-história e bem assim nos quartos sobreaquecidos das maternidades.»

Christian Bobin, em "Um Deus à Flor da Terra"

segunda-feira, 24 de março de 2014

7º ANIVERSÁRIO


O blog festeja hoje o seu 7º aniversário de existência.
Graças a Deus, tem sido possível actualizá-lo, partilhando com regularidade novos textos e mensagens que encontro e me são dadas na peregrinação pelos caminhos da vida, pelas páginas dos livros...

Para mim, tem sido uma experiência gratificante de aprendizagem e partilha. 

O meu desejo é  continuar a contar com a vossa "presença" neste cantinho e, sempre que possível,  partilhar a Beleza, Mistério e desafios da Fé, da Esperança e do Amor de Cristo. 

Agradeço a todos os que por aqui passam, comentam e compartilham o que vai sendo partilhado.

Para mim, é uma espécie de vocação, que procuro cumprir com fé, amor, esperança, entrega, dedicação e com muito coração.

Que Deus me ajude e abençoe com o maravilhoso dom de saber tocar os vossos corações com palavras de sabedoria, esperança, fé e amor e que elas possam contribuir para o vosso crescimento na Fé em Cristo e a uma maior abertura e acolhimento do Seu Dom de Amor incondicional e abundante. 

sábado, 22 de março de 2014

VIDA E RELIGIÃO

«Muitos religiosos querem converter a vida à religião. Jesus propõe o contrário: converter a religião à vida. A religião não é senhora da vida, mas sim a vida é senhora da religião.» 
Elienai Cabral Junior

quinta-feira, 20 de março de 2014

“Quando o grande Antonio estava à beira da morte, ouviu um irmão que falava dele: ‘Ele foi tão grande como Moisés’. Então Antonio abriu um olho e disse: ‘Como você está longe da verdade, irmão. No além Deus não me perguntará: ‘Por que você não foi como Moisés?’, mas ‘Por que você não foi Antonio?’” 

(Apoftegma [Sentença] dos Padres do Deserto).

Graças a: http://matersol.blogspot.pt/

terça-feira, 18 de março de 2014



Me explica por que um olhar de piedade
cravado na condição humana
não brilha mais que um anúncio luminoso?

Manoel de Barros - Poemas Concebidos Sem Pecados

sábado, 15 de março de 2014

FERIDAS


«Charles Péguy, o escritor francês, contou a história de um homem que morreu e foi para o Céu. Quando encontrou o anjo que anotara as suas acções, este pediu-lhe: «Mostra-me as tuas feridas.»
Ele respondeu: «Feridas? Não tenho nenhuma.»
E o anjo disse-lhe: «Nunca pensaste poder haver alguma coisa que valesse a pena lutar por ela?»

Li em: "Ser Cristão para quê?" de Timothy Radcliffe

domingo, 9 de março de 2014

TANTA GENTE SEM CASA, TANTA CASA SEM GENTE


«Tantos contrastes habitam este mundo.
Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente.
O número de sem-abrigo sobe. O número de casas vazias cresce.
Com tanta casa vazia, como entender que haja tanta gente na rua?
A finança manda? Esta finança já cansa!»

Li em: http://theosfera.blogs.sapo.pt/tanta-gente-sem-casa-tanta-casa-sem-2359717

quinta-feira, 6 de março de 2014

MENOS COISAS, MAIS CORAÇÃO



«Jesus relança o seu desafio por outra maneira de ser pessoa: não vos preocupais com as coisas, há outra coisa que vale mais. É o desafio contido na oração do Pai-nosso: o pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Pedimos-te apenas o pão suficiente para hoje, o pão que chega para o dia a dia, como o maná no deserto, não a ânsia de mais. É o desafio do monge: conheço mosteiros que vivem assim, como aves e como lírios, diariamente dependentes do céu. Mas este desafio é também para todos nós, cheios de coisas e temerosos do futuro.

Não podes servir Deus e a riqueza. Não é a riqueza que Jesus tem em mira – com efeito, entre os seus amigos havia pessoas ricas e pobres – mas o que ele chama, em aramaico, “mammona”, que «não é a riqueza em si, mas a que está escondida, é avara, fechada à solidariedade e é fonte de injustiça» (papa Francisco), que torna a pessoa escrava, que lhe absorve o tempo, os pensamentos, a vida.

Não valerá a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestir?

Ocupar-se menos das coisas e mais da vida verdadeira, que é feita de relacionamentos, conhecimento, liberdade, amor. Queres voar alto, como uma ave, queres florir na vida como um lírio? Então deves desfazer-te dos pesos. Madre Teresa de Calcutá costumava dizer: tudo o que não serve, pesa!

Menos coisas e mais coração: não uma renúncia, mas uma libertação. Das coisas, da “tralha” que comanda os pensamentos.

Olha as aves do céu… Olha os lírios do campo… se a ave tivesse medo porque amanhã pode chegar o falcão ou o caçador, deixaria de cantar, deixaria de ser uma nota de liberdade no azul.

Se o lírio temesse a tempestade que pode chegar amanhã, ou se se recordasse do temporal de ontem, nunca mais floresceria.

Jesus observa a vida, e a vida fala-lhe de confiança e de Deus. E diz-nos: felizes os puros de coração porque verão a Deus e descobrirão um altar onde se celebra a comunhão entre visível e invisível.

Por isso, não vos angustieis, aquela angústia que tira a respiração, para a qual não existe nem festa nem domingo, para a qual não há tempo para quem se ama, para contemplar uma flor, uma música, a primavera.

Procura antes de tudo o Reino de Deus e estas coisas ser-vos-ão dadas por acréscimo. Não é moralista o Evangelho, não se opõe ao desejo de alimento e vestuário, dizendo: é errado, é pecado, não serve; mas diz antes, tudo isto o tereis, mas a uma luz outra.

«O cristianismo não é uma moral mas uma perturbadora libertação» (Vannucci). Liberta dos pequenos desejos para desejar mais e melhor, para procurar o que faz voar, o que faz florir, e coloca-te em harmonia com tudo o que vive. Ensina uma relação confiante e livre contigo próprio, com o corpo, com o dinheiro, com os outros, com as criaturas mais pequenas e com Deus.

Não vos preocupeis. Mas como digo isto a quem não encontra trabalho, a quem não consegue chegar ao fim do mês, a quem não vê esperança para os filhos? A solução não é feita de palavras:

«Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser:”Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará?» (Tiago 2, 15-16). Deus precisa das minhas mãos para ser Providência. Eu ocupo-me de outro, e então o Deus que veste as flores ocupar-se-á de mim.

Procura o reino, ocupa-te da vida interior, procura a paz para ti e para os outros, justiça para ti e para os outros, amor para ti e para os outros.

Menos coisas e mais coração! E encontrarás asas e liberdade.»

P. Ermes Ronchi

Fonte: http://www.snpcultura.org/menos_coisas_mais_coracao.html

terça-feira, 4 de março de 2014

UM CORAÇÃO QUE APRENDE A AMAR OS INIMIGOS


«Ouviste o que foi dito: olho por olho... Mas eu digo-te, se alguém te bate na face direita, dá-lhe a outra; desarma-te, não inspires o medo, mostra que não tens nada a defender, e o outro compreenderá o absurdo de ser teu inimigo.

Dá-lhe a outra face; não a passividade doentia de quem tem medo, mas uma iniciativa decidida: reata tu a relação, dá tu o primeiro passo, perdoa, recomeça, volta a coser corajosamente o tecido da vida, continuamente rasgado.

O cristianismo não é uma religião de servos que se mortificam, humilham e não reagem; não é «a moral dos fracos que nega a alegria de viver» (Nietzsche).

O cristianismo é a religião dos reis, dos homens totalmente livres, senhores das próprias escolhas diante do mal, capazes de neutralizar a espiral da vingança e inventar reações novas através da criatividade do amor, que não paga com a mesma moeda, que desconstrói as regras e traz felicidade.

Amarás o próximo e odiarás o teu inimigo. Mas eu digo-te: ama o teu inimigo. Jesus pretende eliminar o próprio conceito de inimigo. Violência produz violência, como uma cadeia infinita. Ele escolhe interrompê-la. Pede-me para não replicar nos outros aquilo que sofri. É assim que me liberto. Todo o Evangelho passa por aqui: amai-vos, porque de outra forma sereis destruídos. (...)


Ama os teus inimigos. Faz nascer o sol no seu céu; que não nasça frieza, condenação, recusa, medo. Podes fazê-lo, mesmo que pareça impossível. "Podes", e não "deves".

Podes amar até os inimigos, podes fazer o impossível, Eu dar-te-ei essa capacidade se o desejares, se mo pedires, e então continuarás no caminho da mudança interior, de te conformares ao Pai.»

P. Ermes Ronchi

Fonte: http://www.snpcultura.org/um_coracao_que_aprender_amar_inimigos.html

domingo, 2 de março de 2014

SABIAS?

«A tua vida não é para ti, somente para ti. 
O teu corpo não é para ti, somente para ti.
O teu amor não é para ti, somente para ti.
Nem o teu humor, nem a tua inteligência, 
nem o teu tempo, nem o teu dinheiro,
nem a tua casa…»

(Escola de Espiritualidade, Santiago de Compostela. Oração da manhã, dia 8 fev. 2014)

Graças a: https://www.facebook.com/graode.mostarda?fref=ts

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

UM HOMEM SALVO

“Um homem ‘salvo’ é um homem novo, liberto dos seus instintos primários de egoísmo, de egocentrismo, aberto espontaneamente aos outros e livre de leis, porque já não tem necessidade do seu apoio.” 

Jean Onimus, “Jesús en directo”, Sal Terrae, Santander (Espanha), 2000

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O EVANGELHO É EXCÊNTRICO

«O templo de Deus somos nós. Somos igrejas de pedras vivas e em nosso corpo o Espírito fez morada. Todo gesto nosso é sagrado e cada passo é o de um templo que se move: somos santuários peregrinos. (...)


As palavras do Cristo devem nos incomodar e nos arrancar da nossa tranquilidade cotidiana para que não se tornem meras palavras que passam pelos nossos ouvidos estéreis sem nunca atingir e fecundar o nosso coração. A vocação do cristão é uma vocação para o extraordinário. O próprio Cristo nos questiona: “Se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?”.

Os cristãos se fazem visíveis pelo extraordinário: perdoar, dar sem calcular, amar os inimigos, orar pelos perseguidores, desejar aos malvados todo bem possível, saudar os que mostram o seu rosto feroz, mas, sobretudo, amar os que não amam ninguém e que ninguém ama. 

Não devemos nos preocupar e nem complicar. Se agir de uma maneira extraordinária nos incomoda, devemos saber que demos o primeiro passo para a salvação, pois, finalmente, estamos abandonando o caminho da normalidade. 
O evangelho não é concêntrico, mas excêntrico. O cristianismo não é uma forma de auto-realização, pois Jesus não era Narciso. Amém!»

Graças a: http://matersol.blogspot.pt/2014/02/o-caminho-da-beleza-14-vii-domingo-do.html

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A «LOUCURA» CRISTÃ

«O mundo de hoje não necessita da beatice de olhos mortiços e pescoços pendurados, nem de intelectuais refinados, nem de doutores que prescrevem receitas, nem de lideranças vanguardistas. O mundo de hoje precisa de loucos, de artistas e de poetas. De homens e mulheres entusiasmados, cheios de Deus, capazes de realizar gestos insólitos e surpreendentes na sua fantasia; provocadores em sua liberdade para quem as bem-aventuranças são uma desconcertante sinfonia em que tudo será um milagre porque tudo será virado pelo avesso. (...) 

Sem o sal que nos queima, perderemos o sabor e a chama amorosa da ternura que nos deve consumir, pois “todos vão ser salgados com o fogo” (Mc 9, 49). Se não nos tornarmos crianças lúdicas, se não nos convertermos em loucos, poetas, artistas e se não tivermos em nós o sal e o fogo, jamais conheceremos o gozo que invade todo o anúncio de Cristo. 
Está mais do que na hora de nos deixarmos seduzir pela loucura, pela alegria e pela ternura de Deus para que salgados pelo fogo do seu amor e da sua misericórdia não apodreçamos justapostos e isolados nas nossas falsas seguranças. 
Não podemos continuar cristãos decorativos, pois Deus não nos seduz quando nos é imposto nos nossos cérebros, mas quando possui, porque precisa, os nossos loucos corações.»

Graças a: http://matersol.blogspot.pt/2014/02/o-caminho-da-beleza-12-v-domingo-do.html

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ELE É O INESPERADO!


«Guarda um lugar na tua alma para o hóspede que não esperas» (Amiel)


«Quanto mais nos aventuramos, seduzidos pelo Espírito, na descoberta do nosso interior, tanto mais cresceremos em sensibilidade e em disponibilidade para tudo o que nos chega do exterior. Quanto mais nos descobrimos como morada de Deus, tanto mais o veremos em toda a realidade. Encontrar a Deus em si abre desmedidamente o olhar, convertendo-o em bondade (...)

(...) Precisamos da ternura e da compaixão infinita de Deus para aprender a olhar-nos com essa mesma ternura e compaixão. Esta é a grande dádiva daquele que irrompe na nossa vida sempre e como nunca esperávamos. Ele é o Inesperado! 

Oxalá se gravasse em nós, de uma vez por todas, que a perfeição de Deus e, portanto, a nossa perfeição, não é a impecabilidade senão a misericórdia! (...) O homem novo vê o mundo com olhos novos. O homem renascido na misericórdia de Deus vê o mundo à luz dessa mesma misericórdia.»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SEMPRE A CAMINHO

«A experiência religiosa requer uma vigilância, um espírito crítico, um discernimento permanente, uma escuta profunda do Evangelho. (...) Seguir Jesus é assumir estar sempre a caminho na busca do rosto de Deus, é aceitar atravessar a noite escura do não ver. 


Encontrá-lo-emos na construção da paz e da justiça, na vida partilhada, na vida fraterna, no perdão, na compaixão. Encontrá-lo-emos na nossa imensa fragilidade, quando dentro de nós ressoa uma voz que nos diz: amo-te como tu és; põe-te a caminho de novo, vai, estarei sempre contigo!»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A BUSCA DE DEUS


«A busca de Deus é também a busca de um nome para a nossa existência, a busca da própria identidade; sabemos que só a partir dele nos podemos dizer e dizer na transparência do que somos (...)

(...) Quando nos decidimos a ir por dentro de nós é um sinal de que Deus nos precedeu com a sua graça e que, desde sempre, nos espera na nossa própria casa. Deus nunca se cansa de nos chamar à vida, a uma vida cheia, plena e, por isso, espera-nos incansavelmente. Tantas vezes tem de esperar por uma fratura para que a sua presença seja reconhecida! 


Ao decidirmos empreender esta viagem, dar-nos-emos conta de que grande parte da nossa vida a vivemos na superfície, a superfície da imagem, das crenças que fomos assimilando ao longo da vida, a superfície do nosso sistema defensivo, da nossa máscara... Dar-nos-emos conta de que há algo de irrealidade no nosso viver. Inclusivamente, aquele a quem chamamos Deus é, tantas vezes, um elemento mais deste nosso mundo artificial em que nos movemos, um deus pequenino, que cabe na nossa cabeça e que é controlável por nós. Quando nos damos conta da estreiteza do nosso horizonte, algo já se desmoronou, sabemos que já não queremos viver mais assim...»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

domingo, 9 de fevereiro de 2014

PEREGRINAÇÃO INTERIOR

« O acesso à nossa identidade mais profunda requererá sempre uma peregrinação. E, para o peregrino, ainda que parta movido pelo desejo da chegada, o próprio caminho ensinar-lhe-á que a densidade da peregrinação lhe será dada pelos passos dados, pela luta que supõe cada dia, quando as forças parecem esgotar-se... Reconhecerá que o importante na vida, mais do que chegar, é mesmo o caminho. 


Estar na vida como peregrinos ensina-nos a ser humildes, a assumirmo-nos como inacabados. O mistério da nossa própria existência requer de nós, como do peregrino, fazermo-nos ao caminho, adentrarmo-nos no desconhecido, sempre com grande humildade. 

Face ao insondável que nos habita, não há outra forma. Somos beleza, beleza irrepetível, da qual não temos o direito de nos privarmos nem de privarmos os outros. Adentrarmo-nos na nossa solidão, como humildes peregrinos, ainda que alguns passos sejam especialmente duros, é o nosso mais original contributo para a grande sinfonia da vida, para a qual toda a criação está convocada.»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"