sábado, 30 de abril de 2016

EM SINTONIA COM JESUS

«Quando estiverem afinadas, Mestre,
todas as cordas da minha vida,
cada vez que as toques, cantarão de amor.»

[Rabindranath Tagore]
Afinar a nossa vida pela vida de Jesus.
Sintonizar o nosso coração com o coração do Mestre.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Uma pergunta pertinente de José Tolentino Mendonça:
«O que é que estamos a perder quando nos falta o desprendimento?»
Perante esta pergunta, ecoam em mim as palavras de Jesus ao jovem rico "Ainda te falta uma coisa...." (Mc 10:17-22). Assim como as que Jesus dirigiu a Marta, irmã de Maria: "Andas preocupada com tantas coisas, quando uma só é necessária" (Lc 10:38-42).

sábado, 23 de abril de 2016

DEIXAR-SE LEVAR


«Há um passo importante no nosso itinerário para Deus: deixar-se levar. As experiências que acompanham a maturidade na fé reconduzem-nos sempre à infância. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais captamos o sentido dos gestos simples que brotavam espontaneamente em nós quando éramos crianças. Por exemplo: dar a mão e deixar-se levar. (...)
Aprendemos a caminhar pela vida, assim, de mão dada, levados por outro, sem medo, com a alegria de ser amado.»

Carlos Maria Antunes, in "Só o Pobre se faz Pão"

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Amar é também saber dizer não

São Francisco abraçando um leproso, Julie Lonneman, 2014

«Jó define a lepra como a "primogénita da morte" (Jó 18, 13). De facto, os leprosos eram considerados como mortos e a sua cura eventual suscitaria o mesmo efeito de uma ressurreição da morte. O corpo do leproso é intocável não só por uma questão de higiene, mas pela simples razão de que ele é um cadáver e tocá-lo desencadearia uma impureza que impediria a participação nos actos religiosos da comunidade. 
No evangelho (Mc 1:40-45), o leproso desafia todas as normas, transgride a lei, aproximando-se de Jesus, mas coloca-se de joelhos à sua frente. Jesus é movido pela compaixão até às entranhas e transborda de ternura. Jesus toca o leproso e reafirma a transgressão iniciada por ele. Ele quer limpar o mundo dos estigmas e das exclusões que atentam contra a compaixão do seu Pai. E paga caro por esta atitude: "não pode entrar mais abertamente nas cidades, é forçado a ficar nos lugares desertos" (Mc 1, 45). (...)

Jesus se revela como a própria presença de Deus que destrói toda a falsa barreira legalista. É Aquele que rompe as fronteiras, derruba os muros seculares da separação, ultrapassa os preconceitos e aniquila as discriminações sociais e religiosas. A dor é o campo dramático em que se arrisca a fé: ou ela se cumpre ou se nega. Jesus está sempre presente nesta linha de fronteira da existência humana, nesta situação-limite em que a compaixão deve falar mais alto. Ele não conhece a hesitação dos puritanos nem o egoísmo dos bem situados e bem pensantes. Ele nos faz saber que onde está a dor devem estar presentes, sobretudo, os que O seguem. 

Nós, os cristãos, tantas vezes criamos “os leprosos”: os que não se comportam como as nossas ideias, os que nos incomodam e se tornam inoportunos. Quantos “leprosos” excluídos, escorraçados, ignorados, condenados ao isolamento no cenário teatral das nossas famílias, religiões e igrejas.(...)

A compaixão pode exigir-nos uma atitude de transgressão, pois o amor é maior do que tudo e leva-nos a confrontar todas as limitações, as imposições e, muitas vezes, a dizer um não a elas. Amar é também saber dizer não

Comunidade dos Manos da Terna Solidão
Pe. Paulo Botas, mts
Pe. Eduardo Spiller, mts

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A EXPERIÊNCIA MAIS AUTÊNTICA DE DEUS

«A experiência mais autêntica de Deus é darmo-nos conta de que Ele está completa e incondicionalmente a favor do homem, que se colocou do nosso lado até ao extremo de assumir a nossa fragilidade, o nosso medo, a nossa noite.»
Pedro Miguel Lamet, s.j., in "As Palavras Vivas - confidências de João, o discípulo predilecto"

domingo, 10 de abril de 2016

A Santa Lei do Amor


Imagem: Yongsung Kim, "Forgive"

«O Senhor revela-nos que a fé não é algo que se possui, mas que somos possuídos e alcançados por Alguém. 

O Evangelho revela esta novidade por meio da contraposição entre as exigências implacáveis da Lei e a estratégia de misericórdia traçada por Jesus. Os acusadores negam à mulher a possibilidade de um novo começo e querem, com pedras, não só sepultar o passado desta pecadora, mas ela própria. 

Cristo, com o seu perdão, liquida definitivamente o passado e entrega à mulher um futuro imaculado a ser construído por ela mesma. O castigo dos carrascos tornou-se estéril, pois a não condenação por Cristo reinventa a vida. 

As frias exigências gravam-se sobre a pedra, mas a misericórdia não está escrita sobre nenhuma matéria dura. A nova lei – a do amor – inscreve-se no terreno maleável do coração, sobre a tenra e terna carne da terra. Resta apenas matar a nossa curiosidade de saber o que escrevia Jesus, com o dedo, no chão do Templo. Jesus escrevia a condenação aos escribas e fariseus e continua até hoje escrevendo em silêncio aos moralistas de plantão que se evadem e se esquivam da barbárie do mundo degenerado que construíram: "Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus." (Mt 21, 31).»

Graças a: 
Comunidade dos Manos da Terna Solidão
Pe. Paulo Botas, mts 
Pe. Eduardo Spiller, mts

quinta-feira, 7 de abril de 2016

SOBRE O PEITO DE JESUS


Estou de acordo com Orígenes: para captarmos o significado profundo do Evangelho de João, precisamos reclinar a cabeça sobre o peito de Jesus

domingo, 3 de abril de 2016

A Alegria é o dom secreto da Compaixão


«Aos olhos de Deus, o mais importante é muitas vezes o mais escondido.» 

Henri Nouwen, in Adam, o Amado de Deus*


«A alegria que provém da compaixão é um dos segredos mais bem guardados da humanidade. É um segredo só conhecido de muito poucas pessoas, um segredo a descobrir continuamente. Eu, pessoalmente, tive umas «amostras» dela. 

Quando vim para Daybreak, uma comunidade com pessoas com deficiências mentais, pediram-me para passar algumas horas com Adam, um dos membros deficientes da comunidade. Todas as manhãs, tinha que o levantar da cama, dar-lhe banho, barbeá-lo, escovar-lhe os dentes, dar-lhe o pequeno-almoço e levá-lo para o lugar onde ele passa todo o seu dia. Durante as primeiras semanas, quase tive medo, sempre preocupado com não fazer nada mal ou com que ele tivesse algum ataque epiléptico. Mas, pouco a pouco, fui ficando mais calmo e comecei a apreciar a nossa rotina diária. Com o passar das semanas, descobri que já era com ansiedade que esperava por aquelas duas horas que passava com o Adam. Sempre que pensava nele durante o dia, experimentava um sentimento de gratidão por o considerar meu amigo. Embora ele não fosse capaz de falar e nem sequer de fazer um sinal de agradecimento, havia um autêntico amor entre nós. O meu tempo com Adam tornara-se o tempo mais precioso do dia. 

Quando uma visita amiga me perguntou um dia: «Não poderias passar melhor o tempo que a trabalhar com um homem deficiente? Foi para fazer esse tipo de trabalho que tiraste o teu curso?» , compreendi que não era capaz de lhe explicar a alegria que o Adam me trazia. Ele tinha que descobrir isso por si mesmo. 

A alegria é o dom secreto da compaixão. Continuamos a esquecer-nos disso e inconscientemente procuramo-la em outros lugares. Mas, cada vez que voltamos para onde existe a dor, conseguimos uma nova «amostra» de alegria que não é deste mundo.»

Henri Nouwen, in  Aqui e Agora



Na sua obra “Adam, o Amado de Deus”, Henri Nouwen revela como deixou a sua prestigiada profissão de professor numa das mais conceituadas universidades dos EUA, para dedicar-se integralmente à obra de tomar conta de pessoas com deficiências em Toronto, no Canadá. Dentre elas, estabeleceu uma relação de amizade muito bela e profunda com um jovem especial chamado Adam.

Adam, era um jovem que devido a um complicado quadro de epilepsia, exigia um cuidado extremo por parte dos que tomavam conta dele, pois nem mesmo as suas tarefas básicas conseguia realizar sozinho. Não falava uma palavra sequer, nem conseguia expressar-se muito bem, pois não coordenava os seus movimentos. No entanto, Henri Nouwen revela-nos que "a sua maravilhosa presença e o seu valor incrível iluminavam-nos para compreender que nós, assim como ele, também somos preciosas, agraciadas, amadas crianças de Deus, independentemente de nos vermos como ricas ou pobres, inteligentes ou deficientes, bonitas ou feias. (...) No relacionamento com ele, descobriríamos uma identidade mais profunda, mais verdadeira."

A experiência de Henri Nouwen com este jovem foi extraordinária e reveladora, ao ponto de nos confidenciar: "com Adam aprendemos que a beleza de cuidar de alguém não está só em dar, mas também em receber. Foi ele quem me abriu para a compreensão de que o maior dom que eu lhe podia ofertar era a minha mão e o meu coração abertos, para receber dele o precioso dom da paz. (...) Cuidar de Adam era permitir que o Adam cuidasse de nós, como nós cuidávamos dele.»

quinta-feira, 31 de março de 2016

Renascemos na Misericórdia de Deus

Imagem: O Retorno do Filho Pródigo.
Séc. XVII. Por Rembrandt, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo.

No "Regresso do Filho Pródigo - Meditações sobre um quadro de Rembrandt" Henri Nouwen, conta-nos a história de um pai e dos seus dois filhos (que encontramos no capítulo 15 do Evangelho de Lucas) a partir dum quadro de Rembrandt, um pintor flamengo do século XVII. 

O primeiro encontro de Henri Nouwen com este quadro de Rembrandt marca o início de uma fascinante aventura espiritual, em que aquela imagem do pai terno e misericordioso , será uma presença constante e fonte de belas e profundas reflexões, ao ponto de ele se referir ao quadro da seguinte forma: «Contém todo o Evangelho. Nele está toda a minha vida e a dos meus amigos. Este quadro converteu-se numa misteriosa janela através da qual posso pôr um pé no Reino de Deus»

Fruto de contemplações demoradas e pacientes, o autor partilha as suas impressões, pensamentos e sentimentos sobre detalhes específicos do quadro. Por exemplo, sobre a imagem dos braços e das mãos do Pai, escreveu: 

«É neste Deus que quero acreditar: um Pai que, desde o princípio da criação, abre os braços numa bênção cheia de misericórdia, sem forçar ninguém, mas esperando sempre; sem deixar cair os braços, e esperando sempre que os filhos regressem para lhes poder falar com palavras de amor e para deixar que os braços cansados repousem nos seus ombros. O seu único desejo é abençoar

O pai quer simplesmente que saibam que o amor de que andaram à procura pelas mais variadas vias, esteve, está e sempre estará presente para eles. 

O núcleo do quadro de Rembrandt são as mãos do pai... Nelas, a misericórdia faz-se carne; nelas se reúnem o perdão, a reconciliação e a cura e, por meio delas, encontram descanso não só o filho cansado, mas também o ancião-pai. »

Uma das mais belas passagens do livro acontece quando Henri Nouwen medita mais profundamente sobre o significado da imagem do manto vermelho: «Com a sua cor cálida e a forma curva oferece um lugar de acolhimento onde dá gosto estar. Sugere as asas protetoras de um passarinho-mãe. Lembrava-me das palavras de Jesus sobre o amor materno de Deus: «Ó Jerusalém, Jerusalém... Quantas vezes quis reunir os teus filhos, como a galinha acolhe os seus pintainhos sob as suas asas, e tu não quiseste!» (Mateus 23, 37-38).

E assim, sob a figura de um velho patriarca judeu, emerge também um Deus maternal que recebe o seu filho em casa.

Agora, quando olho de novo para o ancião de Rembrandt inclinado para o filho recém-chegado e que lhe toca nos ombros com as mãos, começo a ver que não é só o pai que «aperta o filho nos braços», mas a mãe que acaricia o seu menino, o envolve com o calor do seu corpo, o aperta contra o ventre de onde saiu. Assim, «o regresso do filho pródigo» transforma-se no regresso ao ventre de Deus, no regresso às próprias origens do ser e volta a fazer-se eco da exortação de Jesus a Nicodemos: tens que nascer de novo.»

domingo, 20 de março de 2016

A ORAÇÃO

© Foto Miguel Cardoso
Highlands, Scotland

«A oração é como um remanso no curso de um rio; permite parar um momento, decantar as impurezas e ver melhor o que acontece no fundo.» 
[RT Jaime Tatay SJ @JaimeTatay]

quinta-feira, 17 de março de 2016

QUEM RESISTE A UM OLHAR PLENO DE AMOR E TERNURA?


Imagem: Peter's Denial -  Carl Heinrich Bloch, pintor dinamarquês, Séc. XIX

«Os perdões arrogantes geram revolta; os reticentes esmagam; os sem amor não conseguem libertar nem salvar. Só o verdadeiro perdão, fruto de um amor puríssimo, pode fazer brotar uma nascente de vida no coração do infiel e regenerar quem fracassou no amor fazendo-o renascer para ele.

Também para Deus, e antes de mais para Deus, perdoar é amar, amar com um amor tal que faça surgir na escuridão e na impureza da alma um amor inteiramente novo que a purifica, transforma e encaminha para uma perfeição também inteiramente nova.

Pensemos no olhar de Cristo sobre Pedro quando este acabou de negá-lo... Não foi, como toda a certeza, um olhar de censura ou de cólera. Foi, o que é muito mais terrível, um olhar de amor, de amor intenso, exprimindo uma ternura mais solícita, mais calorosa e mais envolvente que nunca.
Pedro não pôde resistir-lhe; partiu-se-lhe o coração e soltaram-se-lhe as lágrimas, ao mesmo tempo amargas e doces. Simultaneamente, pela ação conjugada do olhar de Jesus e do Espírito de Cristo operando nele, um amor novo apoderou-se de todo o seu ser. De tal modo que, poucos dias depois da sua negação, ele ousou afirmar sem hesitações: «Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». E Pedro não mente: esse amor novo que o olhar do seu Mestre fez jorrar nele levá-lo-á ao dom da sua vida numa cruz, depois de uma existência passada a pregar às multidões o amor com que Deus nos ama.»

Henri Caffarel, in "Nas Encruzilhadas do Amor"

domingo, 13 de março de 2016

Parafraseando José Tolentino Mendonça:
A maior parte do tempo, aquilo que nos falta é dar de comer e beber, é vestir, é ir visitar, é ir ver, é hospedar o estrangeiro, é isso que verdadeiramente nos falta.

quinta-feira, 10 de março de 2016

NO CENTRO, OS QUE SOFREM


«No centro da religião de Jesus não está um Livro ou uma Lei, mas as Pessoas, concretas, situadas, magoadas, com as suas dores e deficiências. No centro, os que sofrem. (...)
É por isso que não me convence nenhuma "fé" que não humaniza os crentes dela. Não me convence nenhum "culto" que não torna mais amáveis os seus cumpridores. Porque estou rendido a Jesus, e uma vida como a dele é que me convence. Só o que é Humano é digno de fé. Até Deus.»
Rui Santiago Cssr, in Ora Vê

domingo, 6 de março de 2016

UMA VIDA BEM-AVENTURADA

«Através de Jesus sabemos que Deus é bom e nos ama. 
Não necessitamos de saber muito mais.» 
[Karl Rahner]

Se vivermos seduzidos pela Bondade de Deus, se confiarmos sem reservas, que a Sua Vontade coincide sempre com nosso bem; se nos entregarmos inteiros ao Seu Amor absoluto e incondicional, a nossa vida será bem-aventurada.

quarta-feira, 2 de março de 2016


«O que de mais elementar está em jogo, desde o início, é a graça de confiar que se é amado. E a perdição, a dúvida de o ser.»

 [Pe. José Frazão, in A Fé Vive de Afeto]

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

"COMPAIXONA-TE"


© Rembrandt -  "Jesus and the adulteress"

«Jesus vive Deus como compaixão. No seu mistério mais insondável, Deus é compassivo (rahum). Aquilo que define Deus não é o poder ou a sabedoria, tal como acontece nas divindades pagãs do Império. Jesus capta e vive a realidade misteriosa de Deus como compaixão. A compaixão é o modo de ser de Deus, é a sua maneira de reagir perante os seus filhos e filhas, é a sua forma de ver a vida e olhar as pessoas.

Esta experiência de compaixão de Deus fez de Jesus um «místico de olhos abertos», que se sente afectado pelo sofrimento da humanidade. Como repetiu inúmeras vezes J. B. Metz, a mística de Jesus não é uma mística de olhos fechados, virados para um outro lado, mas uma mística de olhos abertos ao sofrimento humano. Jesus não é capaz de comunicar a sua mensagem e a sua experiência de Deus fazendo orelhas moucas aos que sofrem. Jesus abre-lhes espaço na sua vida para que possam acreditar que têm um lugar privilegiado no coração do Pai. Defende-os como ninguém a fim de que possam experimentá-lO como o defensor dos últimos. Abre-se de maneira muito especial a eles já que a eles todas as portas se costumam fechar, inclusivamente as portas do templo. 

Jesus quer ser um sinal claro de que Deus não abandona os últimos. A partir da sua experiência de Deus, lança este grito profético aos seus seguidores: «Sede misericordiosos para com os outros, assim como vosso Pai é misericordioso para convosco» (Lucas 6:36).

José Antônio Pagola, in Es bueno crer en Jesús

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

OS PASSOS DO HOMEM NOVO


«Não me conformo com menos do que um Deus que Dance!
Senhor dos Passos - como tantas vezes te chamamos - ensina-nos os Passos do Homem Novo, tão teus, e inscreve-nos no peito o ritmo do teu próprio coração para andarmos a um só tempo.
O Teu fardo é leve porque é como o braço do amado sobre os ombros da amada.
A tua carga é leve como um abraço capaz de sarar em nós as feridas mais profundas.
Era tão bom chegar a não querer senão o que Tu queres e não fazer senão como Tu fazes!»
Rui Santiago Cssr, in Ora Vê
http://www.orave.eu/o-livro/livro:129


domingo, 21 de fevereiro de 2016


A beleza vem do amor.
O amor vem da atenção.
A atenção simples ao que é simples,
a atenção humilde aos humildes,
a atenção viva a todas as vidas...

A beleza vem do amor,
como o dia vem do sol,
como o sol vem de Deus,
como Deus vem duma mulher esgotada pelos seus partos.

Christian Bobin, in Francisco e o Pequenino

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"ÉS O MEU FILHO AMADO"


"Conhecer de verdade a si mesmo não é outra coisa que ouvir de Deus o que ele pensa de nós." 
[Santo Agostinho]

E o que pensa Ele de nós?
Escutemos no silêncio mais puro e profundo dos nossos corações e encontraremos a resposta: 
"Tu és o meu Filho amado! Em ti encontro o meu agrado..."

sábado, 13 de fevereiro de 2016



«Éramos todos paralíticos até que Deus, através de Jesus, nos tirou pra dançar.»
© Foto Miguel Cardoso
Isabel, Praia da Amoreira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

ACREDITAR SEM AMAR? NEM PENSAR!

«Ninguém diga que tem fé se não tem amor. 
O amor é o grande certificado da fé.
Acreditar sem amar? Nem pensar. 
Não é possível acreditar sem amar.
A fé envolve sempre o amor.
A fé tudo consegue, quando está habitada pelo amor. Até consegue suportar o insuportável. É assim que percebemos a pergunta pertinente de Balduíno de Cantuária, no século XII: «Que há de impossível para quem crê? E que há de difícil para quem ama?»
Só há fé quando existe amor: o amor é a fé vivenciada!
Só o amor, como dizia Hans Urs von Balthasar, «é digno de fé».
A fé está sempre a dizer à esperança: «não desistas».
E a esperança não pára de segredar ao amor: «não pares».

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O REINO DE DEUS


«O Reino de Deus não tem geografia, muito menos sede, pois se faz visível somente nas manifestações de amor, justiça e verdade entre nós.»

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

QUE SEGREDO TEM O NATAL?


Pergunto-me, Senhor, que segredo tem o Natal?
Há um milagre que acontece dentro de nós,
só pode ser um milagre, pois é como se a vida se reacendesse.

Contemplando o presépio, percebo que este é um milagre humaníssimo
que Deus suscita aos nossos olhos.
Ele amou-nos tanto que nos deu o Seu próprio Filho.

O milagre do Natal assenta sobre este Dom absoluto, 
que nos faz perceber que só somos na medida em que nos damos,
e que a vida renasce, como dádiva, na ponta dos dedos, no olhar, nas palavras.

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

UM DEUS ENAMORADO DA NOSSA PEQUENEZ

O «sinal» é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. 

A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afecto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez.

Papa Francisco

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A LIÇÃO DA MANJEDOURA


«Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura. (...)

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno. (...)

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

Quando aprenderemos a lição da manjedoura?»

Graças a: http://theosfera.blogs.sapo.pt/2267552.html

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SOMENTE PORQUE É NATAL...



Somente porque é Natal
ele veio nascer à minha porta
como se fora eu a sua mãe.
     É de linho o pano que cobre
meus braços, levemente
encurvados, para neles caber
o berço de embalar
o menino sem presépio.
     A pausa do vento
a preparar a neve
lembra-me  o desamparo
de outras crianças, tantas,
a quem a fome quebranta o choro.
     E digo: venham habitar
para sempre o meu poema
como se fossem meus filhos.

     Graça Pires

domingo, 13 de dezembro de 2015

UMA ESTRELA A INQUIETAR O MUNDO



A festa encenada num presépio familiar
como um anúncio excessivo.
Não é fácil rotular a mensagem de um Deus
comprometido com a humanidade,
que precisou das fraquezas do homem
para se cumprir. Não é fácil.
Por isso, em todos os pinheiros,
há, agora, uma estrela a inquietar o mundo.

Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

É NO AMOR QUE NASCEMOS DE DEUS



«A história de Jesus nos diz que não dependemos de nascimentos palacianos ou ditos normais. É no amor que nascemos de Deus e para uma vida bonita.»

domingo, 6 de dezembro de 2015


"Se já pela criação tudo tem o toque de Deus, pela encarnação do Verbo, tudo é confirmado como sua bênção (...)
O Verbo cala-se na boca de uma criança que ainda tem de aprender a falar e na mudez de um condenado que já não tem direito à palavra...»
José Frazão Correia, s,j, in "A Fé vive de afeto"

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A VINDA DE DEUS


«A vinda de Deus não é apenas o nascimento de uma criança; é a vinda de uma Palavra. Poderia mesmo dizer-se que é a vinda de uma Língua.»

Timothy Radcliffe, in "Ser Cristão para quê?"